[Análise] Castlevania: Belmont’s Curse
Com uma jogabilidade ágil, um visual diferente e muitas referências aos clássicos, Castlevania: Belmont’s Curse traz uma nova aventura da família Belmont. Apesar de seus acertos, alguns problemas nos controles, na exploração e na história acabam deixando a experiência mais frustrante do que eu esperava.
Depois de tantos anos sem um novo Castlevania no estilo clássico de ação e exploração em 2D, Belmont’s Curse marca um momento importante para a franquia da Konami.
Desenvolvido pela Evil Empire em colaboração com a Konami e a Motion Twin, o jogo acompanha Rose Belmont, filha de Trevor Belmont e Sypha Belnades, em uma aventura que se passa na Paris de 1499, 23 anos após os acontecimentos de Castlevania III: Dracula’s Curse, lançado originalmente em 1989 para o Famicom.
A ideia de acompanhar uma nova geração da família Belmont é bastante interessante, ainda mais com a mistura de elementos clássicos da franquia, mecânicas modernas e um visual diferente do que estamos acostumados, mas, apesar de ter gostado de várias novidades, algumas escolhas do jogo acabaram me incomodando durante a aventura.
Gameplay
Uma das primeiras coisas que me agradaram em Castlevania: Belmont’s Curse foi a agilidade dos controles. Rose responde rapidamente aos comandos, tanto nos combates quanto na exploração. Além do chicote, que também serve para alcançar lugares mais distantes, ela pode usar espadas e lutar corpo a corpo.
O problema é que algumas habilidades possuem comandos muito parecidos, o que acaba confundindo em momentos que exigem mais precisão, principalmente nas plataformas e armadilhas.

E, falando em armadilhas, essa foi uma das coisas que mais me irritaram no jogo! Algumas sequências são tão difíceis e repetitivas que precisei tentar inúmeras vezes, só para descobrir que a recompensa era um equipamento. Gosto de desafios, mas há momentos em que a dificuldade acaba sendo mais frustrante do que divertida. Felizmente, Rose pode equipar itens que facilitam a jornada, incluindo um que reduz o dano causado pelas armadilhas (ufa!).
O sistema de cartas de tarô é um dos grandes acertos

Quando vi o sistema de cartas de tarô nos trailers, achei que seria parecido com o de Castlevania: Circle of the Moon, o que não me animou muito. Mas confesso que acabei gostando bastante dos chamados Arcanos!

Ao derrotar determinados chefes, Rose absorve seus poderes em cartas, que oferecem ataques especiais e habilidades úteis para explorar novas áreas do mapa. Cada Arcano também possui missões próprias: ao completar todas, Rose pode conversar com a entidade ligada à carta e aprimorar sua respectiva habilidade.

Outra mudança é a ausência dos tradicionais corações: agora, os ataques especiais consomem Mana, que pode ser recuperada ao atingir inimigos ou destruir certos candelabros. Tudo bem, a Mana está presente na franquia desde Symphony of the Night e, em outros jogos, os corações já serviram para recuperar a barra de magia… Mas nenhum coraçãozinho espalhado pelo cenário? Que tristeza! Rose também ganha experiência e sobe de nível conforme derrota os inimigos.
No geral, achei o sistema de Arcanos uma das melhores novidades do jogo.
Um mapa enorme e uma exploração que pode cansar
Belmont’s Curse possui um mapa bastante extenso, dividido em várias regiões, com caminhos alternativos, áreas secretas e equipamentos escondidos. Há muito o que explorar, mas nem sempre isso é tão divertido quanto parece.
Além das salas de salvamento, que inicialmente me pareceram um pouco escassas, temos as salas do barqueiro, que permitem viajar entre diferentes regiões. O curioso é que as próprias salas de salvamento também funcionam como pontos de teletransporte, algo que só descobri depois de terminar o jogo com o final ruim!

Não sei se deixei passar alguma explicação, mas saber disso antes teria facilitado MUITO minha vida durante a exploração.
Outro recurso interessante são os Fragmentos de Coração Valente, que aumentam a barra de vida de Rose, e os Fragmentos de Coração Sábio, que ampliam sua Mana. Geralmente escondidos em locais difíceis de alcançar, eles lembram os cristais de aprimoramento de Castlevania: Lords of Shadow.
Gosto dessa ideia de recompensar quem explora cada canto do cenário, mas o problema é que, com mapas enormes e tantas armadilhas pelo caminho, encontrar esses itens pode se tornar uma tarefa cansativa.
Em alguns momentos, a frustração foi tanta que quase preferi deixar o item para trás e seguir com a aventura!
Gráficos
Desde a apresentação do trailer Bloody Tears, o visual de Castlevania: Belmont’s Curse provocou discussões entre os fãs. Uma das críticas mais frequentes foi o uso de cores muito vivas, considerado por alguns jogadores incompatível com a atmosfera sombria e gótica que sempre caracterizou a franquia.

Depois de jogar, considero essa preocupação um tanto exagerada. Embora Belmont’s Curse realmente apresente uma paleta de cores mais vibrante do que aquela utilizada em diversos títulos anteriores, isso não significa que tenha abandonado sua identidade gótica ou a atmosfera característica de Castlevania. Vale pontuar que essa atmosfera “vibrante” que tanto reclamaram é só no início do jogo, mostrando uma Paris em chamas, nada muito diferente do início de “Rondo of Blood“, quando Richter chega à Aljiba e a encontra queimando.
Os cenários possuem personalidade, com ambientes bem trabalhados e referências visuais que remetem aos jogos clássicos. A combinação entre a arquitetura dos ambientes, os elementos sombrios e as cores mais intensas cria uma identidade própria, sem deixar de lado as raízes da franquia.
Explorando os cenários, Rose encara vários inimigos, alguns originais de Belmont’s Curse, outros novas versões de inimigos de jogos clássicos da franquia. Para quem acompanha a série há tantos anos, reconhecer criaturas familiares em meio aos cenários proporciona aquela sensação especial de nostalgia, além de reforçar a conexão de Belmont’s Curse com os títulos anteriores. Também nota-se essa conexão com homenagens visuais e diálogos entre Rose e outros personagens (diálogos estes que contam com uma excelente atuação, por sinal), o que pode agradar UM POUCO quem acompanha a cronologia e a lore de Castlevania.

Essas surpresas tornam a experiência ainda mais envolvente para os fãs veteranos, incentivando a observar os detalhes dos cenários e prestar atenção nas referências espalhadas pela aventura. E, para não estragar essas descobertas, prefiro deixar que cada jogador(a) encontre essas conexões por conta própria, mas já adianto que são bem interessantes.
No geral, gostei bastante da direção artística de Belmont’s Curse. Apesar de ter um visual diferente dos jogos anteriores, acho que ele conseguiu manter a essência de Castlevania. Mas uma coisa me incomodou MUITO durante a exploração: em alguns momentos, Rose fica pequena demais na tela, o que dificulta acompanhar seus movimentos, principalmente nas partes cheias de inimigos e armadilhas. E, convenhamos, em um jogo que exige tanta precisão, isso acaba atrapalhando bastante.
Em um jogo que exige reflexos rápidos e movimentos precisos, conseguir acompanhar claramente a posição da personagem é fundamental. Por isso, ainda que a proposta visual funcione bem na maior parte do tempo, considero que a escala de Rose em determinadas situações acaba mais prejudicando do que ajudando.
Enredo
A história de Castlevania: Belmont’s Curse era uma das coisas que eu mais estava ansiosa para conhecer, principalmente pela possibilidade de descobrir mais sobre a lore da franquia, afinal, o jogo acompanha Rose Belmont, uma nova integrante da família, e se conecta diretamente aos acontecimentos de Castlevania III: Dracula’s Curse e Castlevania: Curse of Darkness. Para quem acompanha a série há tantos anos, era uma ótima oportunidade de conhecer melhor o legado de Trevor e Sypha e descobrir o que aconteceu depois da derrota de Drácula.

E uma das surpresas é que Belmont’s Curse também faz referência a outro jogo da franquia que eu jamais imaginaria estar ligado a essa história. Não vou revelar qual é para evitar spoilers, mas confesso que gostei dessa conexão. O problema é que, apesar dessas boas ideias, achei algumas explicações um tanto superficiais. O jogo apresenta revelações interessantes, mas nem sempre se aprofunda nelas como eu gostaria. Em certos momentos, a história também acaba sendo previsível e até um pouco clichê, o que me decepcionou um pouco.
Outra coisa que senti falta foi de uma opção para consultar novamente documentos e diálogos. Depois de conversar com uma entidade dos Arcanos ou ler algum arquivo, não é possível acessar essas informações outra vez, com exceção das dicas relacionadas à localização dos Arcanos. Para quem gosta de estudar a lore e analisar cada detalhe, isso faz bastante falta.
Os Arcanos e sua importância na história

Um dos pontos que mais gostei foi a maneira como as cartas de tarô também ajudam a contar a história. Cada Arcano possui missões específicas e, ao completar todas elas, Rose pode conversar com a entidade associada à carta. Alguns desses diálogos revelam detalhes importantes sobre a lore do jogo e ajudam a entender melhor certos acontecimentos.
Achei essa ideia muito interessante, principalmente porque incentiva o(a) jogador(a) a completar os desafios não apenas pelas habilidades, mas também para descobrir mais sobre a história. Por outro lado, algumas informações importantes acabam ficando escondidas nessas conversas opcionais, quando poderiam ter recebido mais atenção durante a campanha principal.
Não considero a história ruim, longe disso. Ela tem boas ideias, conexões inesperadas e momentos interessantes. Só fiquei com a sensação de que algumas coisas poderiam ter sido mais bem desenvolvidas.
Uma história que ainda pode surpreender

Vale lembrar que ainda não consegui completar todos os caminhos da história. Belmont’s Curse possui três finais e, claro, o primeiro que fiz foi justamente o final ruim (só pra variar)!
Entre os mapas enormes, áreas secretas e armadilhas, ainda não consegui alcançar o final bom. Por isso, minha opinião sobre o enredo pode mudar depois que eu descobrir os outros desfechos e concluir mais missões dos Arcanos.
Por enquanto, minha impressão é que Belmont’s Curse acerta ao trazer conexões surpreendentes com outros jogos da franquia, mas deixa a desejar na explicação de alguns acontecimentos. Castlevania tem uma lore rica demais para que essas conexões fiquem apenas nas referências. Eu queria ter visto algumas delas sendo mais exploradas, especialmente considerando a importância que podem ter para a cronologia da série.
Trilha sonora
A trilha sonora sempre foi um dos pontos fortes de Castlevania. Ao longo de quase 40 anos, a franquia nos presenteou com músicas inesquecíveis, então é claro que minhas expectativas para Belmont’s Curse estavam bem altas.
No geral, a trilha é boa e combina com os cenários e os momentos de ação, mas confesso que esperava um pouco mais. Até agora, nenhuma das composições me marcou de verdade, daquelas que dá vontade de ouvir novamente mesmo depois de desligar o videogame.
Entre as referências aos clássicos, reconheci Bloody Tears, que já havia aparecido no trailer, e Vampire Killer, que toca brevemente em determinado momento do jogo.
Não acho a trilha sonora ruim, longe disso! Só senti falta de algo mais marcante, que tivesse uma identidade própria e que, daqui a alguns anos, me fizesse lembrar imediatamente de Belmont’s Curse.
Veredito

Depois de tantos anos esperando por um novo Castlevania, confesso que minhas expectativas para Belmont’s Curse estavam bem altas. E, apesar de ter gostado do jogo, nem tudo saiu como eu esperava.
Os combates são divertidos, Rose é uma personagem ágil e o sistema de Arcanos foi um dos grandes destaques para mim. Também gostei da direção artística, de reencontrar inimigos clássicos e, principalmente, de descobrir conexões inesperadas com outros jogos da franquia.
Mas, se tem uma coisa que realmente testou minha paciência, foram as armadilhas! Algumas sequências são tão cansativas que precisei repeti-las inúmeras vezes, chegando ao ponto de transformar o desafio em frustração. Os comandos parecidos também não ajudam nessas horas.
Quanto à história, gostei das surpresas, mas esperava explicações mais aprofundadas. Como fã que acompanha e estuda a lore de Castlevania há tantos anos, senti que algumas revelações mereciam muito mais atenção.

Belmont’s Curse é um bom jogo, mas poderia ser melhor. Tem ótimas ideias, momentos divertidos e referências que agradam aos fãs, mas também apresenta escolhas que prejudicam a experiência. Ainda quero descobrir todos os segredos e alcançar os outros finais antes de formar uma opinião definitiva sobre o enredo.
No fim, fiquei feliz em voltar ao universo de Castlevania, mas também com aquela sensação de que o jogo poderia ter ido além. Espero que esse novo jogo seja apenas o começo de uma nova fase para a franquia, porque, depois de tantos anos, Castlevania merece continuar crescendo, e não apenas vivendo de seu passado.
